All posts by crmliquor

Doença de Parkinson

Abril é o mês do Parkinson: Muito Além do Tremor

4 milhões de pessoas no mundo apresenteam o diagnóstico de Parkinson e dia 04 de abril foi o dia NACIONAL da doença e 11 de abril o dia MUNDIAL.

Descrita em 1817 pelo médico inglês James Parkinson é a segunda doença neurológica mais frequente, ficando atrás apenas da famosa doença de Alzheimer. O neurologista Dr. Leandro Teles da capital paulista conta que o número de acometidos pela doença é crescente com o envelhecimento da população. “Ela pode ocorrer em qualquer idade e ambos os sexos, sendo mais frequentemente diagnosticada entre 50 e 70 anos e com ligeira predileção para o sexo masculino (3 homens para cada 2 mulheres)”, diz.
Estima-se ainda que cerca de 10% dos casos ocorram em pessoas abaixo dos 40 anos, desmitificando que é uma doença restrita às pessoas na terceira idade.
“Os sintomas são diversos e cada paciente apresenta uma gama peculiar de alterações com intensidade e progressão variáveis. A doença se comporta normalmente como uma afecção crônica e lentamente progressiva, com dificuldades evoluindo ao longo de anos”, fala o neurologista acrescentando que “no começo os sintomas são sutis e o diagnóstico mais difícil (principalmente para o médico não especialista), como o tempo as alterações ficam mais evidentes”.
Os sintomas, diagnóstico, causas e tratamento são descritos detalhadamente abaixo pelo neurologista Dr. Leandro.

SINTOMAS

Na doença de Parkinson os sintomas motores são os mais exuberantes, diferente do Alzheimer, onde os sintomas intelectuais são muito mais evidentes (como os esquecimentos, por exemplo). No Parkinson, o paciente apresenta tipicamente uma tríade de alterações motoras:
1-    Lentidão: perda de velocidade, parecendo estar um pouco em câmera lenta. Isso fica mais visível quando o paciente faz movimentos alterados, como abrir e fechar as mãos de forma rápida.
2-    Rigidez muscular: o membro acometido pode apresentar maior resistência à movimentação passiva, parecer mais duro, mais tenso, isso é melhor visto nas articulações, como punho e cotovelo, ou mesmo na movimentação passiva do pescoço. Essa rigidez pode ser intensificada se o paciente fizer movimentos voluntários com o outro lado do corpo durante a pesquisa da rigidez.
3-    Tremor: Apesar do tremor ser o sintoma isolado mais característico, mais conhecido pela população e médicos, ele não é presente em todos os casos. Existem formas aonde o paciente não treme (chamado de Parkinson atremulante, cerca de 15%). O tremor (quando presente) geralmente é de um tipo específico, sendo pior no repouso (melhorando com o movimento). É geralmente lento (cerca de 4 a 7 Hz), mais evidente durante a marcha, ou quando o paciente está mais nervoso ou distraído com outras tarefas. Durante o sono ele desaparece. Muitas vezes, o paciente parece estar contando dinheiro ou enrolando pílulas, dado a característica um pouco rotatória do tremor nas mãos. Outras regiões também podem tremer, como os pés, o queixo e até a cabeça. Agora, existem muitas outras causas de tremor na população, sendo o mais frequente o tremor essencial (uma doença genética, benigna, aonde o tremor é pior na ação e geralmente bilateral).

DIAGNÓSTICO

A doença é diagnosticada pela avaliação clínica, baseado na história clínica e nos sinais encontrados durante o exame neurológico. A doença não aparece em exames de sangue ou de imagem, como tomografia ou ressonância magnética. Os exames geralmente são feitos para afastar outras doenças que podem simular o Parkinson, tais como hidrocefalia, múltiplos AVC´s, sangramentos, etc. Muito importante também afastar o Parkinsonismo induzido por medicamentos, que geralmente é mais simétrico, com mais rigidez e parcialmente reversível com a suspensão do medicamento suspeito. As classes de medicamento que podem gerar parkisonismo são: anti-vertigem, remédios para náuseas e medicamentos para psicose e alucinações.
O diagnóstico infelizmente demora muito na nossa realidade médica atual. Os sintomas iniciais podem ser sutis e o diagnóstico pode ser confundido com problemas ortopédicos, reumatológicos ou até psiquiátricos, principalmente se o tremor não for evidente.

CAUSAS

A causa definitiva é ainda desconhecida. Acredita-se, atualmente, que existam fatores genéticos de predisposição associados a eventos ambientais ainda não completamente conhecidos.
O mecanismo da doença é a disfunção progressiva de algumas áreas cerebrais, principalmente uma região chamada substância negra, que fica em uma região bem profunda do cérebro. Os neurônios dessa região produzem dopamina, um neurotransmissor muito importante para o controle do sistema motor. Na doença, ocorre acúmulo de proteínas anormais levando à morte e disfunção desses neurônios. Durante a evolução da doença, outras áreas também são acometidas, justificando os sintomas não motores.

TRATAMENTO

Não existe cura para a doença. Trata-se de um transtorno crônico e lentamente progressivo. A evolução varia muito de caso a caso, existem alguns que evoluem em poucos anos e outros com evolução em décadas. Existem tratamentos, tanto medicamentosos como não medicamentosos, para conter os sintomas, sendo muito efetivos, principalmente nas fases iniciais da doença
Atualmente, temos diversas opções de medicamentos, que podem ser dados de forma isolada ou em associações. Eles aliviam bastante os sintomas, sem alterar diretamente a evolução (progressão) da doença. A maioria é fornecida gratuitamente pelo SUS. Além de medicamentos para o quadro motor, são por vezes necessários medicamentos para os sintomas associados, tais como distúrbio de sono, depressão, dores, etc.
Como tratamento não medicamentoso podem ser indicados: fisioterapia especializada (neurológica), fonoterapia (casos selecionados), terapia ocupacional e psicólogos, sendo a composição da equipe variável caso a caso.
Recentemente, surgiram alguns procedimentos cirúrgicos que podem ser úteis em casos bem selecionados. Um dos mais importantes consiste em implantar um eletrodo e promover estímulos elétricos em regiões específicas do cérebro para aliviar alguns sintomas motores. Esses procedimentos não garantem a cura e nem a retirada dos medicamentos, mas podem ajudar no controle de algumas manifestações nas fases mais tardias e complicadas da doença.
Fonte: Blog FisioBrasil – Leandro Teles – Graduação e Residência Médica em Neurologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Médico Preceptor (atividade docente) do Departamento de Neurologia do HC-FMUSP e membro efetivo da ACADEMIA BRASILEIRA DE NEUROLOGIA (ABN) e ligado aos hospitais Albert Einstein, Oswaldo Cruz, Samaritano e Hospital das Clínicas.
Leia mais

O sono do brasileiro está cada vez pior. O resultado: Ansiedade, obesidade e depressão

O corpo, cansado, se levanta vagarosamente e com menos energia. A cabeça está pesada, e parece pressionar tudo que tem embaixo. Os olhos ardem, o olhar é perdido, as olheiras se destacam. A pele se arrepia de frio, mesmo no verão. Prestar atenção no que ocorre ao redor é difícil, que dirá capturar e reter informações na memória. As pernas se arrastam. O dia se arrasta. Lá se vão mais 24 horas de desconforto e uma sensação de que nada é real. “Tudo é uma cópia de uma cópia de uma cópia…”
A noite rende o dia e está na hora de parar as atividades. Mas deitar na cama significa fazer listas:

Lista do que é preciso fazer. Lista do que se deixou de fazer. Lista dos problemas que vai se ter por ter feito (ou não) alguma coisa. Lista sobre as listas que se cria. O pensamento não para.

Daí vêm os ruídos. Muitos ruídos. Eles incomodam. Eles se destacam no silêncio. Eles se repetem, criando uma sensação desesperadora de permanência. Apagar a luz é dar entrada a mais uma noite de suplício. Ao longo dos anos, o corpo vai cobrando o preço e as faturas vêm na forma de aumento da ansiedade, mais irritabilidade, queda na concentração, obesidade, hipertensão, diabetes, doenças do coração e depressão.

Bem poderia ser pesadelo, mas é a realidade de um número cada vez maior de brasileiros. A relação entre eles e os respectivos travesseiros não anda muito boa. O bom e velho companheiro na hora de dormir tem se tornado um depósito de preocupações e estímulos.

Um total de 69% de brasileiros avaliou seu próprio sono como ruim e insatisfatório, segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa e Orientação da Mente (IPOM), no fim de 2012. O sono do brasileiro tem sido invadido pelas preocupações com problemas familiares e financeiros (50%), estresse (40%) e a dificuldade de se desligar de televisão, celular e internet (28%).

A grande maioria (43%) dorme apenas de 3 a 5 horas, enquanto 36% dorme de 6 a 7 horas e somente 21% coloca em prática as recomendadas 8 horas ou mais.

Em 2007, dormir mal era uma queixa de 55% dos entrevistados, o que mostra um aumento de 25%. “A média de noites mal dormidas passou de duas ou três por semana para quatro ou cinco, o que pode causar grandes prejuízos para a saúde”, afirma Myriam Durante, psicoterapeuta holística e presidente do IPOM. O estudo foi realizado com cerca de 2 mil brasileiros, de 20 a 60 anos.

O grande problema de dormir mal são as consequências do dia seguinte: Cansaço, sonolência e queda de rendimento nas atividades foram relatados por 82% dos entrevistados que disseram não dormir bem. Pegar no sono é algo muito difícil para 25%. Acordar e não conseguir voltar a dormir é uma dificuldade para 18%. Alguns (36%) mencionaram que até conseguem pegar no sono de novo, mas despertam várias vezes.

Os efeitos negativos da falta de um sono profundo e reparador se arrastam pela vida do sujeito, que entra em um círculo vicioso e fica mais irritado e estressado, além de ter dificuldades para relaxar, e assim, conseguir dormir bem, descreve a psicoterapeuta.

Entre os jovens, a situação é ainda mais preocupante: 88% deles demonstraram ter um sono ruim ou insatisfatório, de acordo com uma pesquisa de 2015 do Ipom, em parceria com o Instituto Sou +Jovem.

O sono comprometido não é conversa para boi dormir. Quando não há qualidade nas noites dormidas, o metabolismo fica desorganizado e a síntese de alguns hormônios, prejudicada, o que favorece doenças graves como obesidade e depressão, explica à Unimed a neurologista Rosa Hasan, responsável pelo Laboratório do Sono do Hospital São Luiz.

Um estudo feito no Cleveland Clinic Sleep Disorders Center, em Ohio, nos Estados Unidos, com mais de 10 mil pesquisados, mostrou que pessoas que dormem menos que seis e mais de nove horas por dia sofrem uma piora na qualidade de vida e índices de depressão mais altos.

De acordo com dados da Associação de Depressão e Ansiedade dos EUA, quase três quartos dos adultos dizem que seus problemas de sono causados pelo estresse provocaram o aumento da ansiedade em suas vidas.

Enquanto dormimos, o organismo realiza funções como fortalecimento do sistema imunológico, secreção e liberação de hormônios, consolidação da memória, entre outras, explica um artigo da revista Espaço Aberto, da Universidade de São Paulo (USP). O problema é que dormir parece estar fora de moda. “Dormia-se 9 horas por noite no começo do século 20. Hoje, este tempo é cada vez menor”, explica à publicação o pneumologista e diretor do Laboratório do Sono do Instituto do Coração (InCor), Geraldo Lorenzi-Filho.

Dormir bem também possibilita SONHAR e permitir que um universo de “coisas” aparentemente sem significado tome conta, por um período, de nossa existência. Os benefícios dos sonhos são variados, explica o neurologista Leandro Teles, membro da Academia Brasileira de Neurologia, ao Zero Hora. “Do ponto de vista cognitivo, imagina-se que ele tenha funções de ajustes importantes no aprendizado. Esquecer aquilo que não importa, consolidar memórias relevantes, organizar os arquivos mentais, etc. Também é um exercício mental de criatividade, confrontação de dilemas conscientes e inconscientes, autoconhecimento.”

Sono > preocupação

Curiosamente, dormir não é problema para a população de Baependi, uma cidade no Sul de Minas com aproximadamente 19 mil habitantes. É um município tão “tranquilo e favorável” que a população dorme como se ainda estivesse no período pré-industrial: lá, as pessoas preferem começar o dia mais cedo e ir para a cama cerca de duas mais cedo, comparando com os moradores das zonas urbanas.

Esse comportamento rendeu à cidade um estudo da USP com a Universidade de Surrey, no Reino Unido, sobre o sono na modernidade. Depois de investigar a vida de moradores de Baependi, os autores do trabalho concluíram que a hora de deitar e levantar é influenciada por fatores ambientais e genéticos.

O sono problemático é uma realidade na vida do brasileiro, mas não significa que deva ser uma característica permanente. Algumas medidas podem ser tomadas, como essas daqui, sugeridas pelo Ministério da Saúde:

1. Tenha horários regulares para dormir e acordar.
2. Vá para a cama somente na hora de dormir.
3. Tenha um ambiente para dormir adequado: limpo, escuro, sem ruídos e confortável.
4. Não tome café, bebidas alcoólicas, refrigerantes ou determinados chás em horários próximos ao de dormir.
5. Não use medicamentos para dormir sem orientação médica.
6. Se tiver dormido pouco nas noites anteriores, evite dormir de dia.
7. Jante com moderação e em horário regular e adequado.
8. Não leve problemas para a cama.
9. Realize atividades relaxantes antes do sono.
10. Seja ativo físico e mentalmente.

Leia mais

Dor de Cabeça e AVC

A dor de cabeça tensional ou enxaqueca acomete milhares de pessoas diariamente. Estresse, má postura, fome e cansaço são alguns dos fatores que podem desencadear a dor. No entanto existem situações em que a dor de cabeça não deve ser ignorada. Alguns tipos de dor de cabeça podem indicar sinal de um AVC (Acidente Vascular Cerebral).

Para identificar quais os tipos de dor de cabeça que são mais preocupantes é preciso observar a frequência, o padrão e a evolução da dor, como aquela que não melhora e/ou aparece com freqüência e procurar um médico para um diagnóstico.

As dores de cabeça podem ser classificadas em primárias, quando a dor pode ser definida como o próprio problema. Ela é a doença e não o sintoma, e em secundárias, quando a dor é o sintoma de alguma outra doença, como por exemplo, AVC

Nem todo o derrame se manifesta com dores de cabeça, mas em alguns casos a dor pode ser sintoma de AVC e tem algumas características específicas.

A primeira característica é quando a dor de cabeça é súbita, muito aguda, forte e começa de repente e já com muita intensidade. Ela merece atenção porque pode ser uma ruptura ou distensão de aneurisma cerebral. E quando ocorre essa ruptura é gerado um AVC, ou seja, acontece um extravasamento de sangue do vaso para o tecido cerebral.

A segunda característica é a dor de cabeça que muda de padrão. É uma dor de cabeça incomum, que é diferente daquela dor que aparece com mais freqüência e que a pessoa já está acostumada, pode ser ocasionada por má postura, alimentação ou estresse, mas também pode estar relacionada a um derrame.

Se a dor for acompanhada de outros sintomas como: confusão mental, alteração na visão, dificuldade de fala ou ao caminhar, fraqueza muscular, sonolência, paralisação de um dos lados do corpo, desmaios, entre outros, o melhor a fazer é ir imediatamente para o hospital. Esses são sintomas clássicos de um AVC, mesmo que não haja dor de cabeça, o atendimento médico imediato por salvar vidas e evitar sequelas mais graves.

A fim de evitar um AVC ou derrame o melhor a fazer é eliminar os maus hábitos: Não fumar, não beber em excesso, praticar exercícios físicos, ter uma alimentação saudável, controlar a pressão e o diabetes, não usar drogas e evitar o estresse são medidas que minimizam o problema.

Lembre-se que caso você tenha alguns dos tipos de dor de cabeça citados procure seu médico para um diagnóstico preciso.

Dr. André Gustavo Lima é neurologista, especialista em prevenção de AVC , membro da Academia Brasileira de Neurologia e diretor da clínica NeuroVida.

Fonte: Segs.com.br

Leia mais

Guillain-Barré deveria ter notificação obrigatória

O neurologista Mário Emílio Dourado acompanha os casos da síndrome em Natal desde 1994 e montou banco de dados próprio

Acostumado à média de 13 pacientes ao ano, médico registrou 36 vítimas da doença em 2015.

NATAL – O neurologista Mário Emílio Dourado, do Hospital Universitário Onofre Lopes, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), acompanha os casos de síndrome de Guillain-Barré em Natal desde 1994, quando passou a se interessar pela doença autoimune que surge após infecções e causa paralisia temporária. Montou um banco de dados próprio. Como a doença não é de notificação obrigatória, as informações do médico são valiosas por mostrar aumento do número de casos depois do surto de zika. Acostumado à média de 13 pacientes ao ano, Dourado registrou 36 vítimas da doença em 2015.

Foi do médico de Natal o primeiro alerta para a Academia Brasileira de Neurologia, em junho passado, associando zika e Guillain-Barré.

Se houver epidemia de zika em todo o País também haverá epidemia de Guillain-Barré?

Vai significar o aumento de casos em todo o País. Na verdade, foi o que aconteceu em Natal em maio do ano passado. Entre 1994 e 2014, a média era de 13 casos ao ano. Eu via um caso por mês. Em março de 2015, houve três casos, o que já me chamou a atenção. Em abril, foram 7. Em maio, 14. Só nos meses de outono, foram 24 pacientes com Guillain-Barré. Naqueles dias estava no auge a infecção por zika. Mas era pouco conhecida, quase não se ouvia falar em zika, muito menos em microcefalia. Em 2015, tivemos 36 casos de Guillain-Barré.

Qual o desafio para a saúde pública de tantos casos de Guillain-Barré num momento só?

É um problema sério; 30% dos pacientes que têm a forma clássica da síndrome podem desenvolver insuficiência respiratória. Esses pacientes precisam ser tratados em ambiente hospitalar, em instituições que tenham unidade intensiva, vão precisar de respiração artificial. Imagino que será uma situação catastrófica se a gente não tiver leitos em unidade intensiva.

Por que é importante saber qual infecção levou à síndrome de Guillain-Barré?

Essa é uma doença autoimune. É você atacando você mesmo. Mas a gente sabe que essa resposta é desencadeada por um agente infeccioso. Temos de saber em cada Estado o que leva à Guillain-Barré.

O que a ciência ainda precisa saber sobre Guillain-Barré?

Do ponto de vista científico, é importante descobrir como cada micróbio lesa o nervo, como ele age para provocar a síndrome. Dessa forma, podemos descobrir medicamentos mais efetivos. Guillain-Barré deve ser uma doença de notificação obrigatória.

Fonte: Estadão.com.br

Leia mais

Você sabe o que é Esclerose Múltipla?

Um dos protagonistas de “A Regra do Jogo”, novela de João Emanuel Carneiro, Romero Rômulo, personagem dúbio de Alexandre Nero que oscila entre o bem e o mal, logo no início da novela sofre com visão turva e desmaio e é levado a um hospital, onde, ao fim de uma série de exames, um médico dá o diagnóstico: “Tudo leva a concluir que você tem esclerose múltipla.” Mas, afinal, o que é essa doença que na maioria dos casos chega de repente e sem alarde?

A esclerose múltipla é uma doença autoimune ainda sem cura que acomete 2,5 milhões de pessoas em todo o mundo, 30 mil só no Brasil. Seria a mesma doença que sofreria a candidata à presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton, segundo publicou o tabloide The National Enquirer.

Os primeiros sinais podem variar de uma pessoa para outra. Pode haver um formigamento na perna, uma dormência no braço, um leve tremor nas mãos, fraqueza ao segurar um copo, dificuldade para falar, caminhar ou escrever. Às vezes, surgem sintomas que parecem apontar em outra direção, como urgência urinária – aquela sensação de que não vai dar tempo de chegar ao banheiro – e intestino preso.

Os sintomas desaparecem num período entre dois dias e duas semanas. Você pensa que se trata de estresse, falta de sono ou um mal jeito qualquer. Os episódios vão se repetindo até que um sintoma mais intenso, como a paralisia de parte do corpo ou a perda da visão, faz soar o alarme.

A causa ainda é desconhecida, mas sabe-se que fatores genéticos e de ambiente podem determinar o aparecimento da doença. Um dos maiores problemas é que os sintomas são facilmente confundidos com os de outros males, e o diagnóstico precoce é extremamente importante para que possa ser controlado.

Exames

Por ser essa doença com sintomas comuns a outras patologias, nem sempre o diagnóstico é fácil. O importante é procurar um neurologista assim que surgir algum sintoma característico e que dure mais de 24 horas. Além do histórico e de exames clínicos, a ressonância magnética do crânio e da medula e exame do liquor são fundamentais para um diagnóstico assertivo.

Tratamentos

Embora ainda não haja cura para a esclerose múltipla, existem tratamentos que diminuem a ocorrência dos surtos e reduzem sua gravidade, assim como reduzem o grau de incapacidade, melhorando a qualidade de vida dos pacientes que convivem com a doença. Os corticosteroides são úteis para reduzir a intensidade dos surtos. Já os imunossupressores e imunomoduladores ajudam a espaçar os episódios de recorrência e o impacto negativo que provocam na vida dos portadores. Desde janeiro de 2015, o SUS oferece uma terapia oral para pacientes de esclerose múltipla. Até então, eram disponibilizados apenas tratamentos injetáveis na rede pública.

Cláudia Rodrigues

Foi pensando tratar-se de um infarto por conta do estresse do trabalho que a atriz Cláudia Rodrigues foi parar no hospital em 2000. Ela sentiu que a mão ficou dormente no meio da apresentação de uma peça e, com os exames, a surpresa: ela estava com esclerose múltipla. Após o diagnóstico, Cláudia precisou sair do seriado global “A Diarista”, no qual fazia sucesso como a divertida doméstica Marinete, porque enfrentava dificuldades para falar e para andar. Foi aí que a doença acabou se tornando conhecida do grande público.

Ser obrigada a deixar de atuar levou a atriz à depressão e ao isolamento. Dois anos após a interrupção do seriado e de um tratamento com remédios, fonoaudiologia e fisioterapia, Cláudia hoje consegue controlar os sintomas e recebeu liberação médica para trabalhar.

Mais mulheres

“A esclerose múltipla é até quatro vezes mais frequente em mulheres. Afeta o sistema nervoso devido à destruição das bainhas de mielina, que fazem parte da célula nervosa”, diz Beny Schmidt, professorde Patologia Cirúrgica da Universidade Federal de São Paulo.

Atinge mais dos 20 aos 40

Ao contrário do que se pensa, a esclerose múltipla é uma doença que afeta pessoas jovens, na faixa dos 20 aos 40 anos, momento do auge da vida produtiva. Por esse motivo, resulta em impacto pessoal, social e econômico considerável. A doença interfere na capacidade de realização de atividades comuns do dia a dia, já que a fadiga e a perda da coordenação motora, comuns à doença, estão significativamente correlacionadas com ansiedade, depressão e dificuldade de mobilidade. Alguns pacientes também apresentam diminuição na cognição e aumento da ocorrência de doenças mentais, fatores que interferem na realização das atividades profissionais e na qualidade de vida.

“A doença acomete pessoas jovens, cheias de planos, que só estão no início da vida. Ela é crônica, imprevisível e não tem cura, e os portadores sentem como se um muro tivesse sido colocado no meio de seu caminho”, diz a neurologista Elizabeth Regina Comini Frota, coordenadora do Departamento Científico de Neuroimunologia da Academia Brasileira de Neurologia (ABN).

“Com o conhecimento e o entendimento da esclerose múltipla, pacientes, médicos e familiares podem ultrapassar esse obstáculo, continuando a vida da melhor forma possível e convivendo com a doença”, afirma. “O preconceito é a pior parte da doença. Muitas pessoas produtivas e competentes estão trabalhando normalmente, mas tentam escondê-la, com medo de serem consideradas incapazes”, completa a neurologista.

Possíveis sintomas:

Alterações fonoaudiológicas – ligadas à fala e deglutição
Fadiga – cansaço intenso e momentaneamente incapacitante para realização da atividade desejada
Transtornos cognitivos – muito relacionados ao comprometimento da memória
Transtornos emocionais – sintomas depressivos, ansiedade, transtorno de humor, irritabilidade
Problemas no trato urinário e intestinal – bexiga hiperativa, constipação intestinal, urgência fecal
Transtornos visuais – visão embaçada ou dupla
Problemas de equilíbrio e coordenação – perda de equilíbrio, fraqueza, vertigem, falta de coordenação
Espasticidade – rigidez excessiva de um membro

Fonte: Associação Brasileira de Esclerose Múltipla

Quatro formas da doença:

Esclerose múltipla recorrente-remitente (EMRR) – É a forma mais comum da doença, representando 85% dos diagnósticos. É caracterizada por surtos (sintomas clínicos que ocorrem em episódios) bem definidos, que duram dias ou semanas e depois desaparecem, com recuperação completa ou sequelas permanentes

Esclerose múltipla primária progressiva (EMPP) – Afeta apenas 10% dos pacientes e é caracterizada por início lento e piora constante dos sintomas. Há um acúmulo de déficits e incapacidades que podem se estabilizar ou continuar por meses e até anos

Esclerose múltipla secundária progressiva (EMSP) – Começa com o curso da doença recorrente-remitente, seguido pelo desenvolvimento de uma incapacidade progressiva que muitas vezes inclui mais surtos e nenhum período de remissão (fase na qual não há atividade da doença)

Esclerose múltipla progressiva recorrente (EMPR) – Tipo mais raro da doença, acomete aproximadamente 5% dos pacientes. Caracteriza-se por declínio neurológico constante desde o início, com surtos agudos claros. Pode ou não haver recuperação após os surtos, mas a doença continua a progredir sem remissões.

Fonte: Diário da Região – São José do Rio Preto.

Leia mais

Como identificar os primeiros sinais de demência?

Michelle Roberts

Editora de Saúde do site da BBC

O mal de Alzheimer tem se tornado uma doença cada vez mais comum em idosos. Só no Brasil, estimativas indicam que existem pelo menos 1,2 milhão de pessoas vivendo com esse problema. No mundo, são mais de 35 milhões, segundo relatório da Organização Mundial da Saúde.

Considerado o tipo mais frequente de demência, ele pode ser reconhecido por pequenos sinais já nos primeiros estágios – o que ajudaria muito no tratamento para retardar o avanço da doença. O problema é que muitas vezes as pessoas demoram para procurar ajuda porque ignoram ou desconhecem os sintomas.

Uma pesquisa realizada entre 4 mil pessoas no Reino Unido pela YouGov revelou que a maioria das pessoas ainda se confunde com os sinais de demência. Por exemplo, 39% dos entrevistados acredita que entrar em um lugar e esquecer o que foi fazer lá pode ser um sinal de demência – e, na verdade, isso pode acontecer com qualquer pessoa. Para quem tem a doença, esquecer o motivo pelo qual entrou na sala não é o problema, mas sim não reconhecer aquela sala.

A Sociedade do Alzheimer aproveitou o período de festas de fim de ano, em que as famílias costumam se reunir, e divulgou quais são os principais “sintomas” possíveis de serem identificados quando uma pessoa começa a sofrer esse e outros tipos de demência – segundo a instituição, há um considerável aumento de pessoas buscando informações sobre isso nessa época do ano.

Saiba aqui quais são os principais sinais:

Repetições

Enquanto a maioria acredita que esquecer nomes de conhecidos repetidamente pode ser um sinal de demência, poucos sabem que repetir as mesmas frase por várias vezes também pode ser um indício.

Gaguejar ou pronunciar palavras de forma errada são outros sinais que merecem atenção.

Mudança de humor

O risco de demência aumenta com a idade – cerca de um em cada seis idosos acima de 80 anos sofrem com o problema. Mas ela pode começar na meia-idade.

Dianne Wilkinson, de 57 anos, recebeu o diagnóstico relativamente cedo.

“Sempre fui uma pessoa super positiva, então achei estranho quando comecei a me sentir mais devagar e ‘para baixo’. Mas eu achava que isso era apenas uma fase. Não achava que poderia ser um sinal de demência”, afirmou.

Esquecimentos corriqueiros

“Depois de alguns meses, alguns familiares me incentivaram a ir ao médico. Mas foi depois do meu diagnóstico que as pessoas começaram a me falar que tinham notado mudanças no meu comportamento, como repetir as coisas várias vezes, não lembrar onde eu tinha colocado algumas coisas e confundir os dias da semana”, contou Wilkinson, que também não havia percebido esses “esquecimentos” corriqueiros.

Ela diz que se sentiu aliviada após o diagnóstico. “Senti um alívio porque agora eu sei que a demência é a explicação para meu comportamento estranho.”

“É muito importante que as pessoas busquem ajuda rapidamente, assim que notarem sinais, porque aí elas conseguirão entender o que está acontecendo e poderão buscar ajuda para poderem viver da melhor maneira possível”, aconselhou.

Dianne Wilkinson foi diagnosticada com Alzheimer aos 57 anos de idade

Tratamento

Por tudo isso, Jeremy Hughes, CEO da Sociedade do Alzheimer, reforçou a importância de se identificar os sinais de demência para poder tratar o problema o quanto antes.

“Sabemos que demência é uma das doenças mais temidas para muitos e não há dúvidas de que ela pode ter um grande impacto para quem tem o problema e também para a família e os amigos”, disse.

“Por isso, é importante que a gente esclareça essa confusão sobre o que são e o que não são sinais de demência para que as pessoas fiquem mais confiantes para conversar com seus familiares que estão sofrendo esses sintomas, para que eles possam buscar ajuda o mais rápido possível.”

“A demência pode quebrar as conexões que você tem com as pessoas que ama, mas nós temos inúmeros tratamentos que podem ajudar a brecá-la ou a diminuir seus danos.”

Sinais de demência

Procure ajuda médica se sua perda de memória está afetando sua vida diária e especialmente se você:

Tem dificuldades para lembrar coisas recentes, mas consegue se lembrar facilmente do que aconteceu no passadoAcha difícil acompanhar conversas ou programas de TVEsquece nomes de amigos bem próximos ou de objetos que você usa todos os diasNão consegue lembrar as coisas que ouviu ou leuFrequentemente perde o fio do que está dizendoTem problemas de pensamento e raciocínioSe sente ansioso, depressivo ou com raivaSe sente confuso até quando está em um ambiente conhecido ou se perde em caminhos que faz frequentementeDescobre que pessoas começaram a notar ou a comentar sobre sua perda de memória.

Fonte: Uol Notícias

Leia mais

Dicas criativas e saudáveis para beber mais líquidos no dia a dia

Para muita gente, incorporar na rotina o hábito saudável de beber pelo menos seis copos de água por dia é bastante difícil. A água pode ser ingerida também por outros líquidos, mas muitas vezes, ficamos em dúvidas sobre como nos hidratar de maneira saudável e sem engordar.
Leia mais

Japão lança programa de análise genética para detectar doenças raras

Atualmente são cerca de 7 mil doenças provocadas por anomalias genéticas. Doença é rara quando afeta menos de 5 pessoas a cada 10 mil habitantes.

A Agência japonesa de Pesquisa e Desenvolvimento Médico iniciou um programa especializado em análise do genoma humano para ajudar a diagnosticar pacientes com doenças raras, informou nesta quinta-feira (23) o jornal japonês “Japan Times”.

Leia mais
WhatsApp Fale pelo WhatsApp